Catálogo de produtos não quebra por falta de esforço. Quebra por erro de conceito. E o prejuízo real só aparece No Catálogo de Produtos do Portal Único de Comércio Exterior, não existe “só cadastrar”. Existe classificar e existe provar. E a conta disso sempre chega no desembaraço.
Na correria da rotina, muitas empresas tratam o Catálogo como uma tarefa burocrática: preencher campos, anexar o mínimo, “subir” o item e esperar a hora da DUIMP. Parece apenas mais um cadastro. Mas há um erro conceitual aqui: o catálogo não é um espelho do seu ERP — ele é a identidade fiscal do seu produto perante o governo.
Quando essa diferença não é compreendida, o que entra no Portal Único é um item “descrito”, mas não um item “definido”. E é aí que o problema começa.
O fim da “aposta” na NCM
O NCM não é um código que você escolhe no final do processo; ele é a consequência de características objetivas. No Portal Único, os atributos (composição, função, aplicação, potência) não estão ali por capricho burocrático. Eles são o mecanismo que sustenta o seu enquadramento.
Sem atributos padronizados, a NCM vira uma aposta baseada no “sempre foi assim” ou no “vi no fornecedor”. O problema é que aposta não é decisão técnica. No comércio exterior, uma NCM sem lastro atrai exigências que ninguém antecipa: licenças de órgãos anuentes, certificados e restrições que só travam o processo quando a carga já está no porto.
A armadilha da planilha solta
Por que esse erro é tão comum? Porque, por um tempo, ele parece funcionar. O time aprende atalhos, corrige as divergências “na hora” e vai destravando os processos no grito.
Essa dinâmica mascara a realidade: o Catálogo do Portal Único exige consistência e previsibilidade. Planilhas soltas e a memória de funcionários antigos não aguentam o atrito do novo controle aduaneiro. O risco fica invisível porque não explode todo dia; ele se esconde em retrabalhos constantes e na dependência de pessoas-chave que “sabem como faz”.
O Portal Único opera com dados, não com textos
O erro clássico é a falta de validação cruzada. O atributo não conversa com a regra de classificação; a classificação não conversa com a exigência documental. Sem um método, o catálogo vira um repositório de textos variados, onde cada analista preenche de um jeito.
O Portal Único não foi desenhado para confiar em descrições genéricas; ele foi feito para operar com dados estruturados.
O custo da correção emergencial
Quando a dor aparece, ela escolhe o pior momento: com a mercadoria parada, o custo de armazenagem subindo e a pressão do prazo batendo na porta. O dano vai além do financeiro:
- Operacional: Retrabalho em massa e filas.
- Governança: Ausência de uma trilha técnica de decisão.
- Previsibilidade: Cada importação vira um “evento surpresa” em vez de um processo fluido.
Inteligência acima do preenchimento
Não se trata de ter “mais cuidado” ao preencher. Cuidado não escala. A solução é tratar o Catálogo como inteligência fiscal aplicada. É onde os atributos sustentam a NCM e a NCM antecipa as exigências.
A empresa precisa parar de “cadastrar para cumprir” e começar a modelar decisões técnicas. No Portal Único, não ganha quem preenche mais rápido. Ganha quem tem base.